A Pandemia de Brain Rot
- Andre Rodrigues Costa Oliveira
- 27 de mai. de 2025
- 5 min de leitura
O meu nome é André costa oliveira.
A expressão do ano de 2024 escolhida pela universidade de Oxford na Inglaterra foi a expressão brain rot.
O termo “brain rot”(que literalmente significa cérebro podre ou numa tradução mais livre “o apodrecimento da mente) é uma expressão usada inicialmente na internet para descrever um estado de deterioração mental causado pelo consumo excessivo de conteúdo repetitivo, superficial e viciante em redes sociais e em entretenimento digital.
Embora não seja um termo médico ou psicanalítico em si, “brain rot” é frequentemente usado para descrever sensações como: - Dificuldade de concentração e de pensamento crítico. - Consumo passivo de informação sem qualquer reflexão. - Dependência de estímulos rápidos e recompensas instantâneas E - a Sensação permanente de que o cérebro está “emburrecendo” ou perdendo a capacidade de pensar com a necessária profundidade.
Bom, como eu já disse, o termo “brain rot” surgiu como uma gíria na internet, tendo sido então popularizado em fóruns, redes sociais e comunidades online. Portanto, e obviamente, ele é frequentemente associado mais ao - TikTok e redes sociais semelhantes (consumo de vídeos curtos e repetitivos) - Memes e cultura pop (que é a imersão em conteúdos humorísticos sem profundidade, aliás o que é lamentável porque historicamente o humor foi utilizado sempre como um instrumento de ironia e de crítica política e social, e isso agora não mais existe) - Jogos e entretenimento excessivo, que levam à dependência de estímulos visuais e auditivos constantes, - e por último as Fanbases e os nichos (vejam bem eu disse nichos e não lixos, embora não faça muita diferença nesse caso) da própria internet, quando ocorre - e sempre ocorre - a imersão exagerada em uma única comunidade ou tópico, levando à radicalização dos discursos, ao fanatismo e a violência.
E quais seriam os Sintomas do Brain Rot, pessoal? As pessoas que sentem que estão sofrendo de “brain rot” costumam relatar sintomas muito parecidos entre si, e eu os divido em 3 tópicos.
Primeiro: sintomas Cognitivos: - Dificuldade para se concentrar em leituras longas ou tarefas complexas. - Pensamentos fragmentados, com dificuldades para conectar ideias e Memória prejudicada, especialmente para informações mais profundas.
Em segundo lugar os sintomas Comportamentais, tais como aquela Rolagem infinita de um aplicativo ou rede social (doomscrolling) sem absorver conteúdo útil, onde todo esse mecanismo em nossa mente funciona exatamente tal como uma alavanca de um caça níqueis de cassino. É a mais clássica Busca constante por novos estímulos rápidos, acompanhada da Dificuldade para se engajar em atividades que exigem paciência e esforço.
E em terceiro lugar existem os sintomas Emocionais: e quais seriam? Sensação de insatisfação e tédio constante, Irritabilidade ao tentar focar em algo mais exigente e a terrível Sensação de que “nada mais tem graça” além do consumo rápido de uma determinada mídia.
Feitas essas considerações, cabe agora explicar como isso funciona à luz da neurociência e da bioquímica.
O “brain rot” tem correlação direta com o funcionamento do sistema de recompensa do nosso cérebro, ou seja Dopamina e gratificação instantânea: O consumo constante de conteúdos curtos por exemplo (como vídeos rápidos do TikTok ou aqueles memes virais) libera micro tempestades de dopamina no cérebro, gerando uma sensação imediata de prazer, mas que passa em segundos ou até em décimos de segundos, acarretando outras micro tempestades, só que dessa vez de angústia e ansiedade (o que tem a ver com a adrenalina e a iminência de que algo deve necessariamente estar por acontecer), fazendo com que esse movimento se repita indefinidamente ensejando a dependência desse tipo de estímulo (com consequências extremamente sérias, mas que paradoxalmente não sao levadas a sério, exatamente porque esse conteúdo consumido incapacita a fomentação de uma reflexão profunda, tornando impossível a existência de foco em atividades lentas e exigentes.
O cérebro se acostuma com recompensas fáceis e passa a rejeitar automaticamente as tarefas que exigem esforço prolongado, como ler livros, estudar ou refletir profundamente sobre algo edificante ou até mesmo necessário, como de repente um problema real que você está vivenciando, ou seja: Além do estímulo da recompensa você também vivencia um processo de fuga do mundo verdadeiro, na vã tentativa de viver em uma realidade que infelizmente não existe.
Além disso tudo, não nos esqueçamos que a Sobrecarga de informação é violentíssima, e movimenta uma indústria trilionária anualmente, na qual você é a cobaia e ao mesmo tempo o consumidor insaciável desse lixo todo.
A internet expõe as pessoas a um fluxo constante de dados que na imensa maioria das vezes é irrelevante dificultando a filtragem do que é realmente útil e significativo.
E Como é que a gente Reverte o “Brain Rot” antes que você fique irremediavelmente apodrecido e intelectualmente incapacitado?
Muito embora seja um problema bem comum na era digital, é possível sim reduzir os efeitos do “brain rot” começando sempre pela adoção de hábitos mais saudáveis: Estabeleça limites para o uso de redes sociais, Use aplicativos de controle de tempo para evitar rolagem infinita, Evite consumir conteúdo superficial principalmente antes de dormir, Leia livros ou artigos longos regularmente, Treine a concentração com exercícios de foco (tais como meditação ou escrita reflexiva), Evite a prática de multitarefas, Escolha conteúdos que desafiem sua mente (documentários, debates, filosofia, ciência), Participe de discussões construtivas em vez de apenas consumir passivamente, Pratique a escrita e o pensamento crítico para fortalecer sua capacidade analítica, equilibre os vídeos curtos com atividades que exijam mais paciência e concentração, Intercale momentos de lazer com desafios lúdicos ou intelectuais, como aprender um novo idioma ou resolver quebra-cabeças, pratique atividade física, interaja de verdade com as pessoas e por último não deixe de valorizar as que se preocupam realmente com você.
E agora o meu último recado: ninguém nesse mundo é imune ao conteúdo de baixa qualidade, até mesmo porque somos diariamente bombardeados por idiotices absurdas e que chegam a todo instante de onde menos se espera.
O problema é quando esse lixo todo se torna uma regra e começa a devastar a sua inteligência tal qual um câncer ou uma doença degenerativa, até um determinado ponto em que não mais haverá retorno.
O “brain rot” é um fenômeno moderno que reflete os desafios do consumo excessivo de conteúdo digital. Pessoalmente eu acho lamentável isso tudo, você entra em um metrô e se depara com pessoas solitárias rolando indefinidamente as telas; você frequenta uma academia e se depara com pessoas que não abrem mão dos celulares mesmo enquanto fazem exercícios; e o mais feio de tudo: você vai a um restaurante e se depara com casais que sequer trocam uma palavra ou um gesto de carinho - porque eles estão namorando as suas respectivas telas!!
É difícil a gente dizer que o brain rot poderia ser a causa se uma sociedade tão doente, tão complicada. Só que não podemos também afirmar que o brain rot seria uma consequência dos novos tempos. Seja como for, a solução não é abandonar a tecnologia, mas sim aprender a utilizá-la de forma equilibrada, garantindo que nossa mente continue ativa, criativa e capaz de elaborar o pensamento crítico.
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