A Síndrome de Desgaste por Empatia
- Andre Rodrigues Costa Oliveira
- 27 de mai. de 2025
- 3 min de leitura
A Síndrome de Desgaste por Empatia, também chamada de “fadiga por compaixão,” é uma condição emocional que afeta principalmente profissionais que trabalham em contato direto com o sofrimento de outras pessoas. Esse desgaste ocorre por conta da exposição contínua ao estresse emocional dos outros, o que pode levar a um esgotamento físico, mental e emocional.
Esse fenômeno é particularmente comum em profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, terapeutas de todas as áreas), assistentes sociais, cuidadores, advogados, professores em escolas periféricas com altos níveis de pobreza e de violência, pessoas que trabalham no setor de segurança pública (tais policiais federais, civis e militares) e também afeta os familiares e amigos de pessoas que estão passando por situações delicadas.
Quais são os Sinais e os Sintomas do desgaste por empatia? Fadiga física e mental, ou seja, aquela sensação de cansaço constante e dificuldades de concentração. Redução da empatia, quando você se percebe indiferente, quase que entorpecido diante do sofrimento dos outros, até mesmo como um mecanismo de defesa…Distanciamento emocional, que é a imensa Dificuldade em conectar-se emocionalmente com os outros ou com o seu próprio trabalho, Irritabilidade, desânimo, desmotivação, apatia, Problemas de saúde física (tais como Insônia, dores musculares, problemas gastrointestinais), Baixa satisfação profissional, que se define como um sentimento de não estar fazendo o suficiente ou de não ser eficaz no seu trabalho, Oscilações de humor, ansiedade e, obviamente, depressão.
E as causas e os fatores de risco? Bom, se a gente parte do pressuposto de que a Síndrome de Desgaste por Empatia se relaciona à própria empatia que os profissionais tendem a desenvolver no cuidado com o outro, há alguns fatores sim, e muito nítidos até, que aumentam substancialmente o risco de que você adoeça.
Quais seriam eles? O primeiro e o mais importante, como eu já disse, é a Exposição prolongada ao sofrimento alheio, ou seja, o contato contínuo e ininterrupto com pessoas em situações de dor ou trauma ou com um diagnóstico já terminam ou até mesmo com pessoas que estão de luto, lembrando aí, que existe luto de pessoa viva, gente, mas sobre esse assunto nós conversaremos numa outra oportunidade.
O que mais que eu apontaria como um fator de risco? A ausência de uma rede bem estruturada de apoio emocional ou psicológico para lidar com os desafios diários, e sabemos todos nós que no brasil não existe essa rede de apoio bem estruturada.
O que mais a gente vê como fator de risco? Os Profissionais com empatia naturalmente muito elevada, porque são os mais propensos a absorção do sofrimento alheio…e por último a Falta de autocuidado, quando o profissional negligencia a si mesmo e deixa de manter uma rotina de atividade física, de alimentação saudável, de congregação com a família e com amigos que lhe tragam coisas boas e prazerosas, de relaxamento, de descanso e de lazer.
E, finalizando, como é que a gente trata isso? Quais são as possíveis estratégias de prevenção a um desgaste por empatia: primeiro, em minha opinião, buscar imediatamente ajuda por meio de terapia pra que você, que sofre disso, finalmente estabeleça os limites claros entre o seu trabalho e a sua vida pessoal. Em segundo lugar, como eu mencionei há pouco, participação em grupos de supervisão e aconselhamento que ajudem a lidar melhor com as situações emocionais diárias que você enfrenta. E em terceiro lugar, é o que eu chamaria de Treinamento para Resiliência, que consiste em gerenciar as próprias emoções e praticar o desapego saudável, como uma “empatia com limites”, por assim dizer.
E a vocês todos, que agora me assistem, eu preciso dizer de maneira clara e direta: as senhoras e os senhores não fazem a menor ideia da enorme quantidade de profissionais que são acometidos do desgaste pela empatia, que ficarão ainda mais doentes caso não se tratem.
Sejam os agentes multiplicadores da informação correta: passem esse assunto à frente; dialoguem; observem os sinais à volta; Reconhecer e validar a gravidade do desgaste por empatia é essencial para que os profissionais possam encontrar maneiras saudáveis de lidar com o estresse antes que seja muito tarde.
Se você fica doente, você perde a capacidade de cuidar da dor do próximo.
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