Morte, o Legado e a Eternidade na Visão da Grécia antiga, utilizando a figura de Aquiles como o Arquétipo Heroico.
- Andre Rodrigues Costa Oliveira
- 27 de mai. de 2025
- 3 min de leitura
O meu nome é André costa oliveira. Hoje falaremos sobre a Morte, o Legado e a Eternidade na Visão da Grécia antiga, utilizando a figura de Aquiles como o Arquétipo Heroico.
Na tradição grega antiga, a morte não era o fim absoluto, mas o limiar que separava a existência efêmera da possibilidade de um legado eterno.
Em um mundo onde a glória (kléos) e a honra (timé) formavam os pilares da identidade heroica, viver bem significava, acima de tudo, morrer de forma significativa.
Nenhum personagem representa esse dilema de forma tão pungente quanto Aquiles, herói da Ilíada, que, ao se deparar com a escolha entre uma vida longa e obscura ou uma morte precoce e gloriosa, encarna a tensão grega entre mortalidade e imortalidade simbólica.
Quando Aquiles consulta sua mãe, a deusa Tétis, sobre ir ou não à guerra de Troia, ele já conhece os dois destinos possíveis: “Se aqui eu ficar, meu retorno será salvo e longa será minha vida, mas a glória não será minha. Se eu for, a morte me espera, mas minha glória será eterna.” Esse momento, descrito por Homero, não é apenas um dilema pessoal, mas um espelho da cosmovisão grega sobre o sentido da vida.
A morte, embora temida e envolta em luto, também era, paradoxalmente, o caminho para transcender a condição humana.
Para os gregos, o kléos aphthiton — a glória imorredoura — era o maior bem a que um homem podia aspirar. Essa glória não era concedida aos que levavam uma vida prudente, mas àqueles que enfrentavam o perigo e morriam em nome de algo maior do que si mesmos. A vida era breve (bios brachys), mas o nome podia sobreviver ao tempo, inscrito na memória dos homens e nos cantos, nas histórias, nas odes poéticas.
Assim, morrer jovem e heroicamente era, de certo modo, uma forma de eternidade. Aquiles é a personificação desse ideal. Ele sabe que, ao escolher ir para Troia, renuncia à vida comum e à velhice. No entanto, o que está em jogo não é apenas sua biografia, mas sua permanência simbólica na história. Sua mãe, embora imortal, não pode protegê-lo do destino.
E é nesse contraste — entre o humano que busca eternidade e os deuses que a possuem mas não compreendem sua intensidade — que o drama grego se intensifica.
A escolha de Aquiles revela, também, uma tensão entre a psyche (alma) e o soma(corpo): enquanto o corpo será destruído, a memória, o nome e os feitos poderão perdurar. A imortalidade que Aquiles almeja não é ontológica, mas cultural; não se trata de viver para sempre, mas de ser lembrado para sempre. Em um mundo sem céu ou inferno como recompensa final, a lembrança dos homens era a única forma de vencer a morte.
Assim, ao decidir ir à guerra e enfrentar seu destino, Aquiles não escolhe a morte, mas o significado. Ele se recusa a ser esquecido. E, ao morrer jovem e em combate, conquista aquilo que é mais valioso para os gregos: um nome eterno.
Neste contexto, compreendemos que, para a mentalidade grega, a morte era inevitável, mas o esquecimento era intolerável.
Viver era preparar-se para morrer bem — e morrer bem era ser digno de memória. O legado era o altar da eternidade, e Aquiles, com sua decisão trágica e heroica, tornou-se o paradigma de um ideal que moldaria o imaginário ocidental por séculos.
E você? Qual é a sua própria visão sobre isso tudo. Você já se acha preparado para morrer bem? E o fato de você viver bem, já não seria a preparação maior para que você venha a morrer bem? E o seu nome na eternidade? Você teria a coragem de escolher uma vida mais curta em benefício da eternidade e do legado? E em que você realmente acredita após a sua morte? Ou será que o medo do que pode existir após a morte é maior e mais brutal do que o próprio ato de morrer em si, aqui nesse nosso mundo? Pensem a respeito.
Comentários