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O homem perigoso. O Homem que Habita Sua Presença: A Força Serena que Atrai o Feminino Sem Esforço

  • Foto do escritor: Andre Rodrigues Costa Oliveira
    Andre Rodrigues Costa Oliveira
  • 27 de mai. de 2025
  • 6 min de leitura

Não existe uma única semana na qual alguém do sexo masculino me pergunta, seja em atendimento clínico ou até mesmo em sala de aula: Professor André, como eu devi agir para conquistar mulheres? Professores André, como é que eu faço para me dar bem na balada? Professor Andre, como eu pego todas?


Cavalheiros, duas coisas eu preciso deixar muito claras: a primeira coisa é que eu não tenho essa resposta porque cada um é diferente e interage de maneira diferente; não existe fórmula, relacionamento não é receita de bolo. E a segunda coisa que é há algumas dicas sim e que talvez lhes sejam úteis, e que são bem mais profundas e complexas do que os homens imaginam.


Só que antes de aprofundarmos uma nota introdutória: eu coloquei de propósito o título da aula, por que tantas mulheres se sentem atraídas por homens perigosos.


E a vocês, mulheres, peço que aguardem um instante antes de iniciar o meu injusto apedrejamento, porque a resposta inicial — que aponta para a intensidade, a presença, a força vital e a imprevisibilidade desses homens — exige, contudo, uma sofisticação conceitual mais detalhada.


O termo “perigoso” não deve ser compreendido em seu sentido vulgar, ou um sinônimo de canalha ou de cafajeste, como aquele que ameaça, que agride, que extorque, que violenta ou que submete, o que seria abominável. Não se trata do homem violento no sentido literal de violência, abusivo ou instável, mas do homem que integra a própria sombra, que carrega consigo a força de dizer “não”, de se posicionar e de não ser domesticável tal qual um gato ou um cachorro.


Ele é perigoso porque tem o dom de decifrar os que estão a sua volta, desconcertando-os e desmascarando os fúteis, os mesquinhos, os ignóbeis e os mentecaptos, e muitas vezes só com o silêncio que a sabedoria nos ensina. Feito esse esclarecimento, seguimos adiante: Em tempos de ansiedade, distração digital e insegurança afetiva, a figura do homem com letra maiúscula, verdadeiramente presente, tornou-se quase mítica.


No entanto, ele ainda vive — não como celebridade, atleta ou conquistador de sucesso (coisa aliás que hoje é mal vista em sociedade), mas como aquele que aprendeu a silenciar o mundo dentro dele próprio, tornando-se um porto seguro para si mesmo e para o feminino.


Neste ensaio, uniremos elementos do pensamento de Carl Jung, da psicologia arquetípica, da mitologia clássica e até das Escrituras para compreender por que o homem que é presença autêntica não precisa correr atrás do amor: ele o atrai por pura gravidade.


E o que seria a presença masculina? A Presença não é postura ensaiada, nem domínio de técnicas de sedução porque isso tudo é bobagem. Presença é a capacidade de estar inteiro, sem precisar provar nada. É o “masculino encarnado” — aquele que não busca afirmação no olhar do outro, porque já a encontrou no centro de si mesmo: notem que o homem presente não precisa falar muito. Sua energia comunica: “Eu estou aqui. Nada em mim está fugindo.” E é essa quietude profunda que torna sua companhia um espaço de repouso e se conforto ao feminino.


E por que eu digo isso? Porque o feminino sente quando o masculino está de alguma forma fragmentado. A mulher, ao se aproximar de um homem, capta com precisão quase instintiva se ele está ou não habitando a própria verdade. Isso não tem a ver com beleza, dinheiro ou musculatura, mas com a firmeza do chão interior que ele oferece.


Quando ela percebe que precisa disputar sua atenção com o celular do cara, por exemplo, ou com a sua vaidade, com suas inseguranças mal resolvidas, ela não se sente amada — sente-se sozinha.


A escritora Clarissa Pinkola Estés descreve isso com extrema precisão em seu best-seller Mulheres que Correm com os Lobos: “Quando uma mulher sente que precisa disputar atenção com o brilho de coisas mortas, ela se recolhe — não por fraqueza, mas por dignidade.”


Traduzindo em miúdos: Ela se afasta não porque não ama, mas porque sabe que o amor só pode florescer onde existe uma presença viva.


Na Odisseia, de Homero (século 8 antes de Cristo) Ulisses leva vinte anos para voltar definitivamente à sua esposa Penélope. Não foi o corpo dele que a sustentou durante o tempo, mas a certeza de que, onde quer que estivesse, ele voltaria a si — e voltaria a ela. Penélope não esperava um homem perfeito, mas um homem verdadeiro. E Ulisses, para voltar, teve que resistir às tentações de ficar em terras que prometiam prazer sem responsabilidade, além da vontade de desistir.


É o caso das sereias, por exemplo, contra as quais Ulisses chega a amarrar-se ao mastro de seu barco (e que eu pessoalmente interpreto como a metáfora da consciência) podendo atravessar o canto ilusório dessas vozes.


E traçando um paralelo com os dias atuais, não seria inadequado afirmar que as sereias que assediam o guerreiro Ulisses representam as distrações modernas e mundanas — redes sociais, pornografia, vaidade, materialismo extremo, competição masculina — que fazem com que o homem esqueça o seu centro.


A mulher deseja o homem que está em paz consigo mesmo. O desejo feminino autêntico não se dirige ao exibicionismo masculino, mas à serenidade de um homem que não precisa de plateia. Esse homem não disputa. Ele reina. E esse reinado não é sobre os outros, mas sobre si mesmo.


Já na psicologia arquetípica, Robert Moore nos fala do arquétipo do Rei como sendo o eixo central do masculino maduro. O Rei não é tirano, nem ausente. Ele é presença ordenadora. Ele escuta. Ele abençoa. Ele cria espaço para que o feminino possa florescer com naturalidade e espontaneidade.


O Rei verdadeiro é aquele em cuja presença as coisas se tornam o que são. E assim também é o próprio Jesus Cristo, o arquétipo supremo do masculino sacrificial e presente. Ele não seduz, não exibe, não domina. Ele ama até o fim. E ama com a serenidade de quem sabe quem é e o que deveria ser concretizado. João, capítulo 13: Sabendo Jesus que o Pai lhe tinha dado tudo nas mãos, […] levantou-se da ceia, tirou o manto e começou a lavar os pés dos discípulos.


Olha, gente, só o homem que já recebeu o Reino dentro de si é capaz de ser humilde sem perder a força, de servir sem perder a dignidade, de amar sem medo de ser rejeitado.


Uma coisa importante: A mulher só se entrega a um homem inteiro: vou repetir: a mulher não deseja um homem perfeito, mas um homem inteiro. E inteiro quer dizer o que mesmo? que ele assumiu a sua sombra, que ele integrou os seus medos, que já não vive para agradar ou conquistar, mas para vivenciar verdade.


E é essa inteireza que produz o que Jung chama de individuação — o processo pelo qual o homem deixa de ser uma marionete social para tornar-se quem ele realmente é.


O privilégio da vida é tornar-se quem você realmente é.” Essa individuação é sentida pela mulher. Quando ela a percebe, pode, enfim, baixar a guarda. Pode parar de tentar ser interessante, sexy, competitiva. Pode descansar no feminino profundo — aquele que cria, acolhe, transforma.


E quanto aos aspectos estéticos? Os aspectos estéticos sempre serão os mesmos, seja em um relacionamento, seja no trabalho, seja na família.


Cuide de seu corpo, trate os seus dentes, vista-se discretamente elegante. E isso não tem nada a ver com dinheiro. Tem a ver com o respeito o que você impõe e si mesmo e à mulher que você deseja.


Aprimore o seu repertório; leia, leia muito, mantenha o seu português correto, fale em tom moderado e, principalmente, exercite a escuta ativa. A ausência de um companheiro que lhes escute é uma constância nos dias de hoje.


O homem que deseja atrair a mulher não precisa de estratégias, mas de profundidade. A mulher corre atrás de um homem não porque ele a manipula, mas porque sua alma tem peso específico. Ele se tornou tão inteiro, tão centrado, tão silenciosamente poderoso, que o mundo começa a girar ao seu redor — e não por força, mas por presença.


Homem, volta para ti mesmo. Silencia o ruído, abandona as máscaras, renuncia à necessidade de ser aprovado. Desce ao teu próprio coração. Integra tuas feridas, acolhe tua criança, amadurece teu guerreiro. E, então, sem esforço, atrairás não só mulheres — mas o próprio sentido da vida.


Mateus 6: “Busca primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.”


Porque o Reino de Deus começa no homem que aprendeu a reinar sobre si mesmo.

 
 
 

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