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O que acontece com o homem quando ele transforma o orgasmo em centro da sua vida emocional, espiritual e até existencial?

  • Foto do escritor: Andre Rodrigues Costa Oliveira
    Andre Rodrigues Costa Oliveira
  • 27 de mai. de 2025
  • 5 min de leitura

O meu nome é André costa oliveira e hoje abordaremos uma questão polêmica, mas paradoxalmente perceptível no dia a dia, e que levanta uma questão provocativa e urgente: o que acontece com o homem quando ele transforma o orgasmo em centro da sua vida emocional, espiritual e até existencial?


Numa cultura como a nossa, hiperestimulada e anestesiada, essa pergunta lança luz sobre o que Carl Gustav Jung chamou de “perda da alma” — um estado no qual o ser humano se desconecta da totalidade de si mesmo, tornando-se prisioneiro de seu ego e dos impulsos mais primitivos oriundos da ancestralidade.


Hoje aprofundaremos essa crítica, recorrendo à psicologia analítica, filosofia, espiritualidade e crítica cultural, com o objetivo de compreender as raízes da compulsão sexual masculina desmedida e ainda apontar caminhos possíveis para a reintegração da masculinidade até então fragmentada.


Na psicologia junguiana, o desejo sexual não é apenas biológico; ele é simbólico. A libido, como “energia psíquica geral”, pode ser dirigida para múltiplos fins, sejam eles criativos, intelectuais, espirituais.


Ele afirma que a libido é, em si mesma, um impulso vital indiferenciado, uma energia que pode ser desviada para diferentes propósitos, dependendo da direção do desenvolvimento individual.


E ele prossegue em seu raciocínio que quando o orgasmo se torna um fim em si mesmo, sem vínculo com amor, transcendência ou integração do self, essa energia vital é desperdiçada — e, portanto,,não reaproveitada em níveis mais elevados de consciência.


A sexualidade, como toda força poderosa, exige simbolização, isto é, um processo de tornar o instinto mensurável pelo espírito.


E daí eu inicio um outro tópico: A masturbação digital e a falência do imaginário. E o que seria isso? Com a pornografia abundante e facilmente acessível, o homem contemporâneo vive imerso em um ciclo de excitação e esvaziamento, inclusive sob a luz da bioquímica.


O prazer não é mais fruto de um encontro, mas de uma repetição mecânica de imagens artificiais. Com isso, seu mundo simbólico se empobrece.


Compreendam que onde o amor reina, não há vontade de poder; e onde o poder predomina, o amor está ausente. Um é a sombra do outro. A pornografia, que aliás é facilmente transformada em vício com consequências devastadoras, oferece uma ilusão de controle e poder sobre o prazer, mas esconde a ausência de vínculo verdadeiro.


E o homem, em vez de se relacionar com an alma do feminino (anima), relaciona-se com projeções vazias, no que eu chamaria de vácuo existencial.


A busca do prazer como finalidade em si resulta na frustração; o prazer, é uma consequência do sentido, não um substituto. Na mitologia, é praticamente uma regra que o herói desça a um mundo inferior para resgatar algo sagrado — a princesa, o Graal, an alma perdida ou até a sua própria essência.


Só que o homem moderno, no entanto, mergulha nas trevas do submundo não para salvar, mas para se anestesiar. Ele foge da dor do vazio, da solidão, da frustração, buscando orgasmos como paliativo. E, nas palavras do próprio Jung, “aquilo que não enfrentamos em nosso inconsciente ressurge em nossa vida como destino.”


A compulsão sexual é frequentemente sintoma de feridas psíquicas não integradas: falta de propósito, frustrações emocionais, insegurança afetiva, abandono materno ou paternal, pode ser milhões de coisas: e aí eu cito Nietzsche, quando escreveu que O homem que tem um porquê para viver pode suportar quase qualquer como.”


Em outras palavras: Sem um “porquê”, o homem vai atrás do “como e quanto ele puder gozar”, e não do “como e do quanto ele puder viver.


Nesse ponto eu menciono Platão, quando nos diz que o amor é o movimento da alma em direção à beleza eterna.”


E sobre as origens mais primárias e inconsciente da compulsão sexual? Jung foi pioneiro a mostrar ao mundo


que a sexualidade compulsiva pode ser o grito do inconsciente que implora por transformação. Quando a energia psíquica é bloqueada em estágios infantis (como o prazer imediato), ela gera regressão.


A masturbação excessiva, por exemplo, pode sim simbolizar a tentativa inconsciente de controle sobre a própria angústia, sobre o medo da entrega ou a incapacidade de amar e se sentir amado.


Freud já dizia, como todo mundo sabe, que toda neurose tem um componente de “fixação libidinal” — um apego inconsciente a uma forma de prazer imatura, ou seja, A psicanálise nada mais seria do que uma ciência do desejo.”


Jung ultrapassa essa fronteira e propõe que o caminho de cura passa por um processo simbólico de integração, ao defender que o objetivo da vida não é a felicidade, mas a totalidade.


E agora uma curiosidade: As tradições espirituais — desde o Cristianismo ao Taoismo, do Hinduísmo ao Budismo — sempre souberam do poder transformador da energia sexual compulsiva, bem como dos danos causados pelo excesso.


O propósito da castidade, nesse contexto, não se constitui de uma mera repressão moralista ditada por senhores septuagenários no Vaticano, mas a transfiguração do desejo, muito além de manter ou não relações sexuais efêmeras. Sublimar o desejo significa redirecionar a energia sexual para algo maior: uma missão, uma criação, um ideal de vida, um amor verdadeiro. Isso exige disciplina interior, reflexão e coragem para enfrentar a própria sombra. A energia retida, longe de causar doença, torna-se combustível para a iluminação.


E não pensem os senhores homens que vocês são menos homens ao ser menos compulsivos e obcecados, muito ao contrário: saibam os senhores que mulheres tem um tino, um sexto sentido que detecta o homem verdadeiramente equilibrado, seguro de si, hiper focado em projetos grandiosos.


É o homem que, ao chegar num ambiente, não precisa ser anunciado, pois a sua presença, por si mesma, já encanta e atrai mulheres e até em alguns casos outros homens.


Mas infelizmente o homem moderno está cansado, e esse cansaço todo não é apenas físico; é existencial. Ele sente fortemente que algo que falta, mesmo tendo prazer sexual infinito à disposição. O problema não está no prazer em si, mas em sua superficialidade e isolamento do espírito.


E eu me lembrei agora de Vinícius de Moraes em uma de suas frases impagáveis. Ele disse uma vez que “o orgasmo é o momento mais solitário de um ser humano, e por isso as pessoas gozam de olhos fechados.” Só que uma hora você vai abrir os olhos, e caso você venha a se deparar com uma pessoa estranha, com a qual não existe qualquer conexão pretérita ou alguma sintonia, eu garanto que você será lançado ao inferno, desejando evaporar naquela hora.


Eu mesmo já estive algumas vezes nesse inferno, e a maioria de vocês que me escutam também já esteve. E eu sei que nenhum de nós pretende visita-lo novamente.


Cavalheiros, Jung acreditava que o inconsciente oferece sintomas não para nos destruir, mas para nos curar. A compulsão sexual é um sinal de que algo mais profundo em nós deseja emergir. É um convite à transformação, como eu já disse há pouco. E a masculinidade não está perdida.


Ela está adormecida, e pode despertar quando o homem finamente ousar olhar para dentro, questionar os seus impulsos e reconhecer que a sua energia mais poderosa não está na ejaculação mas em criar, proteger, amar, transcender.


A jornada de retorno está ao alcance de todos. Rever seus hábitos não é perder liberdade, mas reconquistar o domínio sobre si mesmo. O verdadeiro herói, hoje, é aquele que tem coragem de dizer não ao que o enfraquece — e sim ao que o torna inteiro.

 
 
 

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