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Viés de Confirmação e a Necessidade de Validação: O Silêncio como Arma Contra o Debate Histérico

  • Foto do escritor: Andre Rodrigues Costa Oliveira
    Andre Rodrigues Costa Oliveira
  • 27 de mai. de 2025
  • 5 min de leitura

O meu nome é André Costa Oliveira.


Eu acredito que vocês já perceberam que nos dia de hoje, ou seja, na tão falada era da informação — ou talvez da desinformação —, a maioria das pessoas não busca a verdade, mas sim a confirmação do que já acredita. Esse fenômeno é conhecido como viés de confirmação, e faz com que os indivíduos selecionem, interpretem e até distorçam fatos e acontecimentos reais ou históricos para reforçar suas convicções, ignorando ou rejeitando aquilo que as contraria.


Essa tendência não apenas afeta nossas opiniões e decisões, mas também influencia profundamente a forma como debatemos e interagimos com os outros.


Hoje, o debate muitas vezes não é mais a troca de ideias, mas uma espécie de competição em que o objetivo não é aprender, e sim ganhar.


Só que ninguém nota o mais importante nisso tudo: aquele que ganha uma discussão, se é que pode-se dizer isso, não é o que mais grita o ou que mais xinga ou aquele que ataca o debatedor deixando o tema do debate em segundo plano. O vitorioso é o que respeita o oponente, o que se atenta às normas de educação e de civilidade e, dessa forma, consegue expor a sua ideia com clareza e com transparência.


Muitas discussões não passam de batalhas infantilizados por validação, onde as pessoas argumentam não para entender, mas para reafirmar suas posições e receber a aprovação de um determinado grupo.


Compreendam o seguinte: o viés de confirmação ocorre como se o nosso cérebro buscasse economizar energia evitando o esforço cognitivo de reconsiderar crenças profundamente enraizadas.


Aliás melhor dizendo: quando o nosso cérebro está acostumado sentir preguiça de raciocinar. E como é que preguiçoso pode se manifestar? Selecionando informações, ou seja, consumindo conteúdos que confirmam o que já se acredita (seja em redes sociais, notícias ou diálogos); Distorcendo evidências, reinterpretando fatos incontestes, de maneira que eles se encaixem no que pensamos; e Ignorando sumariamente  argumentos opostos, que é quando uma informação vai contra nossas crenças e tendemos a desconsiderá-la, descartá-la ou atacar quem a apresenta.


Isso é o que explica a razão pela qual muitas das discussõés em nosso dia a dia são inúteis, e por que eu digo isso? Se cada um dos lado apenas reforça as suas próprias certezas, ninguém está realmente ouvindo o outro, e o que seria um diálogo se torna apenas dois monólogos em paralelo.


A busca por validação é uma das forças que alimentam essa resistência ao contraditório. E ai eu volto às nossas redes sociais que amplificam esse fenômeno criando bolhas ideológicas onde as pessoas recebem reforço positivo constante de quem pensa igual.


Quando saem dessas bolhas e enfrentam questionamentos, sentem-se atacadas, não porque os argumentos sejam ameaçadores, mas porque desafiam o seu senso de identidade. E é bem por isso que, em debates, muitos não querem aprender, adquirir conhecimento ou mudar de ideia. Eles querem só provar que estão sempre certos, não importa como; Ganhar aplausos do próprio grupo, mesmo que isso envolva a distorção de fatos e por último desejam Humilhar ou desacreditar o outro lado, em vez de compreender seu ponto de vista.


Há um livro, aliás, que eu pessoalmente recomendo intitulado After Virtue (primeira edição em 1981), de autoria do filósofo escocês Alasdair MacIntyre.


MacIntyre defende que a sociedade contemporânea é marcada pelo que se denomina “cultura do emotivismo”, que se manifesta como o uso estratégico da linguagem moral a fim de manipular atitudes, uma vez que as pessoas já não optam pelo debate no intuito de buscar a verdade ou a convencer os outros (ou a ser por eles persuadidos), mas sim para participar de um verdadeiro (e quase sempre ridículo) teatro retórico, em que o que vale é expressar opiniões e destilar o ódio, forçando um jogo perigoso de “culpados” e de “vítimas”.


Na visão de MacIntyre, inexiste busca de análise objetiva. O que há, infelizmente, é a busca por um “inimigo” a ser culpado. Nos debates, não se procura mais conhecer sequer a tradição do pensamento que ancora a visão do oponente, de modo a compreendê-lo melhor e assim dialogar com ele; busca-se, simplesmente, expressar-se de forma diametralmente oposta e agressiva.


E agora eu lhe coloco uma pergunta: é quanto ao silêncio diante de um bárbaro selvagem que pretende derrota-lo pela força e pelo grito fundamentalista e fanático? Eu entendo que mentir-se muitas vezes em silêncio é uma arma poderosa. O silêncio tende a quebrar essa dinâmica e tira das pessoas o que elas mais querem: a chance de reafirmar seu ponto de vista e se sentir validadas, soberbas, superiores e mais poderosas, já que é exatamente disso de que se alimentam.


Cortem sumariamente o fornecimento e a oferta de atenção a essa gente doida. Não lhes ofereçam holofotes. Responder frequentemente a um ataque ou entrar em discussões sem propósito pode ser um desperdício enorme de energia a que eu mesmo, por exemplo, já não me permito.


Por que o silêncio pode ser uma arma poderosa? Primeiramente porque o silêncio desarma o oponente; Quando alguém espera confronto e encontra silêncio, sua agressividade perde força. A ausência de reação frustra a necessidade de validação; em segundo lugar eu diria que o silêncio Evidencia a fragilidade do argumento alheio, já que muitas vezes, um argumento fraco se desfaz sozinho quando não encontra resistência. Se a outra pessoa insiste, mas não recebe resposta, mais cedo ou mais tarde vai acabar se contradizendo ou perdendo credibilidade. Em terceiro lugar: o silêncio demonstra autocontrole, inteligência emocional, mostrando que você não necessita de aprovação externa para validar sua opinião. Em quarto lugar: o silêncio evita que você caia no jogo do outro, porque quando um debate não é feito para esclarecer, mas para manipular ou provocar, participar desse suposto debate apenas fortalece a narrativa do outro lado. E por último eu diria que a estratégia do silêncio diante de alguém notoriamente desequilibrado ou fundamentalista ajuda e muito a preservar a sua própria  energia mental, fazendo com que você se desgaste pouco.


Nem toda batalha precisa necessariamente ser travada. Escolher quando falar e quando se calar é um sinal de sabedoria.


E agora a minha última pergunta: O Que é mais importante em sua vida – Ter Razão a qualquer custo ou Evoluir de fato como ser humano? O verdadeiro aprendizado não acontece quando buscamos confirmar o que já acreditamos. O aprendizado acontece quando estamos verdadeiramente dispostos a questionar e reavaliar nossas ideias. O problema é que, para muitos, isso significa abrir mão da validação do grupo e da sensação de superioridade em um debate.


Reitero: Se o objetivo for simplesmente “ganhar” uma discussão, então o viés de confirmação e a necessidade de validação continuarão moldando as interações.


Mas se o que buscamos for definitivamente a verdade, o silêncio pode ser sim uma ferramenta valiosa – tanto para evitar debates improdutivos quanto para permitir que reflexões mais profundas aconteçam.

 
 
 

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